quarta-feira, 29 de abril de 2009

cada frase dessas vem oculta de milhares de significados.

(a garota ainda diz não ter flores preferidas. diz que não dá pra escolher. diz: "são flores.")

são flores.
bandini continua a esperar a primavera. eu não.
eu espero você.

há muito tempo eu não sentava aqui em frente ao computador e escrevia sem mágoa ou raiva ou cerveja. os cigarros permanecem.
isso não quer dizer muita coisa.
mas isso também quer dizer muita coisa.
isso quer dizer simplesmente o que isso quer dizer.

Escolhe uma canção bonita pra tocar ao fundo...

Ao fundo?

É. Ao fundo do beijo que eu agora vou te dar.

(escolhe.)

O céu, do jeito como está hoje, eu o desejo, assim, pra você.
Limpo.
Com as luzes dos prédio e dos aviões e das torres de telecomunicação. Tem poesia no urbano. Eu te desejo isso assim. Cheio de luzes da cidade. Cheio de janelinhas. Com estórias possíveis. Para finais possíveis. Para inícios possíveis. Para isso. Para você. Para beijos possíveis.
Olha pro céu.
Hoje ele é meu presente pra você.

terça-feira, 28 de abril de 2009

FIM DO I ATO

CENA 1, II ATO

(vamos fingir que a gente não existe?)

(a menina tinha na mão esquerda uma daquelas garrafinhas de coca-cola. na direita um marlboro vermelho apagado.)

A cena se passa em Curitiba, no Largo da Ordem. O céu está dividido em tons de violeta. As nuvens parecem de algodão. Algodão apenas. E não algodão doce. As palavras fluem dos ombros, passam pelos braços e punhos e deslizam para o teclado pelos dedos. Apenas seis. Não sabe usar os dez para digitar.

Uma garota irá dizer que também não é possível viver sem água. A resposta será um vácuo.

(a menina agora pensa que a garota tem razão. mas sobrevive-se até 4 dias sem água. enquanto que sem ar apenas uns 4 minutos. vai pensar. mas não dirá.)

Existe, realmente, muito a ser dito. No entanto o que existe já é tanto mais forte.

Sim. O II Ato começa com sims. Não o jogo de computador. As afirmações.

Se você vier eu conto só pra você que as minhas flores preferidas são margaridas e que se um dia eu vier a casar será com um buquê delas.
Eu te conto que eu sei que eu não devia usar te com você.
Eu te conto que eu não me apego muito a esse tipo de coisa.
Eu te conto que fumo o cigarro que eu fumo só porque é mais cênico.
Eu te conto que uma das minhas coisas preferidas no mundo é andar de mãos dadas.
Eu te conto que eu sempre ouço música na minha cabeça em momentos bonitos ou tristes.
Eu te conto que eu costumava imaginar uma câmera me filmando o tempo todo na minha sitcom particular.
Eu te conto que muita coisa já se passou e que o mundo se abre das maneiras mais inesperadas.

Olha pro céu. A textura é formidável.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quando o verão se foi, você escolheu ir junto.Quando o inverno chegou, você resolveu voltar. Nosso amor de outono pode ser ao som da flauta ou do atabaque, você escolhe.

Eu nunca acreditei em finais felizes, só em finais possíveis. E talvez seja tempo de água, talvez seja tempo de terra. O tempo de ar já passou. Mas ar é aquilo que é necessário para sobreviver. Então vou fingindo que é fácil. Que não dá vontade de te ligar e dizer que hoje o céu parecia de algodão e a lua estava linda. Fingindo que eu já nem me lembro mais do teu número ou do teu gosto. E de tanto fingir as coisas começam a se tornar reais.

Se for tempo de água um quadrado não é só um quadrado. Se for tempo de terra um quadrado sempre será apenas um quadrado. Você é um círculo. Sem começo ou fim. Um círculo. E agora são necessários losangos. E copas de árvore.

Espere a primavera. Ainda que o seu nome não seja Bandini.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ela vai. Ela vem.

Sem querer ficar fazendo nenhum tipo de elogio ao passado. Talvez um elogio à mentira.

Cansei de te amar. E quando decidi que cansei foi que eu realmente percebi. Que a vida é assim. Simples. Como aquela canção do Nenhum de Nós. aquela canção que um amigo ouviu e sofreu. E ela era assim:

"Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembrar é o nosso final feliz
Você vai lembrar...Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim."

E depois disso as pessoas choraram. Porque algumas resoluções, passadas ou futuras, podem ser brutais.
E eu sou - como diria o Stuart Murdoch - brutal, honesta e tenho medo de você.

Não estou tentando escrever uma coisa bonita. Só uma coisa singela. Que é pra dizer adeus de maneira suave. Como se fosse um pôr-do-sol.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Quando o fantasma ressurgir - e, acredite, ele ressurgirá - você pensará naquela canção do Roberto. E se permita uma lágrima.

Porque a única maneira da Parte III começar de fato é permitindo que a Parte II surja às vezes. Permita que ela te invada. Que ela provoque o que tem de provocar. Sofra a nostalgia.

E então se levante. Recupere-se. Saiba que fantasmas não são eternos. Fantasmas são apenas lençois brancos. Como branca era a pele de quem um dia você amou.

Quando o fantasma ressurgir você estará pronto. E dirá: "sai fantasma!" Não importa se toca uma versão daquela música do New Order. Não importa se o seu amigo canta aquela velha canção.

Importa que há o mar. E ele cabe no espaço de um braço. E se você me abraçar eu me afogo. Porque é tempo de água.
Essa agora é pra você.
Você que foge, que finge, que finca o pé no chão.
Essa agora é pra você.
Que fingiu me amar. Ou que me amou mas fugiu.
Essa é uma canção tamanha. Aquela que ainda me causa essa febre de 40 graus.
Essa agora é pra você.
Que fez da despedida um espetáculo. Que colocou a trema no U do "agora agüenta!"
Que fez trovão daquilo feito pra ser garoa.
Essa agora é pra você.
Que me esvaziou. Que me encheu. Que foi única. Que foi você.

sábado, 11 de abril de 2009

Sim. A menina se salva. Como num filme do Christophe Honoré há a redenção. Deixaremos o George Romero de lado finalmente. Deixaremos de lado qualquer morto-vivo e sairemos em busca da redenção. O coração ainda bate, pulsa. Como uma sapo ou um baiacu.

E ela, a menina, não destruirá vidros de automóveis. Não. Ela cantará uma canção em francês e sairá dançando pela rua Carlos de Carvalho. E, feliz, sairá em busca de algum maracatu. Comprará um colar de contas.

E vai admitir. Sim, eu admito. Ainda há espaço para romance.

PARTE III

A estória a ser narrada não tem personagens reais ficcionalizados. Porque aqui ninguém saltará de ônibus em movimento. Ninguém beberá até cair. Não haverá cigarros ou drogas. E sim chá gelado. Aqui há remédio cênico. Existem mãos. E em algum momento elas vão se tocar.

A menina continua caminhando pela vida. Com o sentimento de que sim, é preciso caminhar. Ao seu lado uma espécie de fiel escudeiro que sofre. Mas não existe mais o medo do mundo, nem do amor, nem de dores inenarráveis. O som de uma única mão que aplaude. Qual será?

A estória a ser narrada tem canções. É sobre fotografia. Estática e em movimento. Sobre outros continentes e oceanos. E agora é assim. Fim.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Para a garota que deixou tudo...

O baque, ela disse, não foi tão forte assim.
O poder de convencimento que ela possuía se localizava no ombro esquerdo. Não no direito como tantos pensavam.
Então era isso.
O poder de persuasão, de convencimento. Localizava-se no ombro esquerdo.
E ela havia deixado a bicicleta para trás.
As pessoas insistiam em relembrar a bicicleta. Todas aquelas pequenas estórias da bicicleta.
Mas já havia se passado mais de cinco anos.
E ela havia deixado a bicicleta para trás.
Embora os outros não deixassem. Ela havia.
Como havia deixado todas essas estórias - das maiores às menores - para trás.
Aquelas da depressão. De amores frustrados. De amores violentos. De saudade de colares de conta. De estórias de maracatu.
Ela havia deixado ela mesma para trás.
Mas agora mantinha o sorriso quando chegava em casa às onze horas da noite.